segunda-feira, 29 de março de 2010

O cérebro

O cérebro,

Não é burro,

Nem é sábio;

Simplesmente,

Não passa de um cafetão.

Células vadias,

Passam pelo corpo todo,

Levando ordens,

Carregando informações;

E o cérebro,

É o cafetão delas,

Manda e desmanda em todas,

Para o que melhor lhe convir,

O que mais lhe for lucrativo.

O homem,

Não tem sangue Lucrativo,

Não é esperto,

E não tem os negócios à frente de tudo;

Mas os que tem,

Os que são mais espertos,

Mais inteligentes;

Mandam no cafetão.

Quando mais espertos,

Mais inteligentes,

E menos homens,

Forem;

Mais e mais,

Mandam no cafetão,

Mais e mais,

Mandam em seu cérebro;

O prendendo em armadilhas tecnológicas,

Em um labirinto de sapiência,

E o vertendo e convencendo,

A mandar suas putas,

Fazerem o que o homem bem entender.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Nathália

Eu te amo demais,
E quanto mais me apaixono,
Menos me queres,
Mais me odeias.
Eu preciso de você,
Seus olhos,
Seus abraços;
E viver eternamente,
Em seus lábios,
Envolto em um beijo fatal.
Preciso estar sempre contigo,
Mais que isso,
Não vivo se não estiver sempre,
Nos braços da paz;
Da paz do teu olhar,
Da paz do meu amor,
Em guerra com o seu, por mim, horror.
Se meus dias acabarem,
Que acabem logo,
Contanto que acabem,
Envoltos em seus braços,
Entrelaçados abraços e beijos,
Não apenas de amizade,
Mas do mais puro e belo amor.
Nesse momento,
Belo e impossível,
Poderiam,
Deveriam,
Jogar uma bomba,
A bomba das bombas que seja,
Um imenso cogumelo atômico;
Que nos congelasse,
Naquele...
Naquele melhor momento de minha vida,
Ainda que fosse ela, eterna;
Eterna como os beijos que meus olhos dão,
E os tapas que os seus me dão...
Naquele pior momento de sua vida,
Meus olhos lhe assediando;
Olhos safados, tarados,
Com seu belo corpo brincando;
E os seus com raiva daquilo tudo,
Querendo matar os meus,
Querendo cegar os meus,
Querendo castrar os meus,
E para sempre se calar,
Calar a boca que a mim nunca beijaria,
Para que comigo também não fale;
Amordaçar seus lábios perfeitos,
Por ação,
De um muito irritante,
Criminoso grilo falante.
Perdoe-me,
Eu imploro!

Hábitos da bicha homem, e do bicho mulher

Quanta podridão!
Tudo está podre!
O mundo gira,
O homem morre,
Mas a solidão fica,
E a podridão renasce.
O mundo tece,
O homem que cresce,
E congelado padece,
Pela podridão que nasce,
Renasce, nasce, renasce,
E nunca, nunca morre.
Tudo está podre,
Mas não há solidão,
Não de tudo;
E se há,
Ela não é,
De modo algum,
Uma podridão!
Ninguém está de tudo sozinho,
A não ser que o queira;
E se quer estar totalmente só,
A mente é evoluída,
E vale por vários.
Para cada homem feio,
Há uma chuva de mulheres,
Querendo sempre, sempre,
Com ele estar.
Para cada homem belo e virtuoso,
Não há chuva, não há harém,
Mas há apenas uma,
Uma única,
Bela, virtuosa,
E mui estonteante, mulher;
Destinada a permanecer,
Para todo o sempre,
Ao lado dele.
Para cada mulher bela,
Há milhares de homens feios,
E bilhares de homens belos;
Ela abre o guarda-chuva para belos,
E escapa,
Formando um harém às avessas,
Feito apenas pelos homens feios.
E para cada mulher feia,
Sempre há,
Uma infinidade de amigos e amigas,
Que nunca se distanciam,
Aproximam-se por pena,
E se eternizam por sina;
Amizade pura;
Porém, por vezes, apodrecida pela riqueza,
E pela torpeza de se ter dinheiro, e não beleza!

Nos Braços da Paz

Como é possível,
Como é podido,
Sofrer-se tanto,
Amar-se tanto e tanto,
E sofrer todo esse pranto?
O homem,
Que ser desumano,
Comete crimes horrendos,
Crimes a si mesmo;
E crimes ainda piores à natureza;
Mas pior,
Muito pior que esses crimes,
E que todos os outros crimes;
É a vingança,
Da natureza para com o homem,
Comigo como bode expiatório.
Eu pago,
O mais alto dos preços,
Mais alto que qualquer preço possível,
Que é amar-te,
Enquanto me odeias;
Amar tamanha perfeição,
Que por causa do meu amor,
E de meu estúpido modo de amar,
Meu estúpido modo de ser,
E querer te ter;
Foge,
Sempre foge de mim.
Toda a minha alma lhe pertence,
E se minha inteira existência não fosse tua,
A harmonia de meu ser, perder-se-ia.
E eu morreria.
E se a tua estupenda existência,
Ou ao menos parte dela,
Não se grudar em mim;
Se não fores rainha e eu rei,
Se nossos destinos não se entrelaçarem,
Na certa que eu morrerei.
Mais do que todos os outros,
Eu preciso de você;
Mais do que o Multiverso almeja a tua beleza,
Eu almejo estar ao seu lado;
Mais do que o mundo é mundo,
O céu é céu,
E o mar é mar;
Eu preciso,
Para sempre;
Nos braços da Paz ficar,
Eternamente nos braços da Paz estar,
Eternamente nos braços da Paz morar.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Festa do Banheiro

A mulher vai ao banheiro,
Sente muita fome,
Tira a calça e come.
Na falta de uma boa cenoura,
Ou mesmo uma viscosa cebola;
Na falta do que melhor lhe apeteça,
Ela vai mesmo é de ceroula,
Suas ceroulas de milionária russa.
O homem da calça,
O dono da calça,
Vira para a faminta,
A famigerada mulher,
E diz o que lhe condiz:
You are mine,
I am your,
I am mine,
I am I;
So,
Oh, meu pai,
Mas que dor!
Oh, meu poste,
Mas que dor!
A mulher sente o ânus,
Sente seu ânus doído,
E sua pureza perdida;
Precisa defecar,
Expurga fezes claras,
Defeca claras fezes,
Brancas e puras;
Sem cor,
Sem odor,
Livres,
Mas com muito pudor.
Despoder tal igual qual,
Qualquer homem banal,
Escalando a mais alta bananeira,
E caindo feito estrumeira.
Caindo feito um banana,
Comendo banana;
Caindo ao escorregar,
Escorregando em sua própria casca,
Sua casca de maldade e impureza,
E seu casco fino e frágil,
Estruturado de tudo;
Tudo o que não seja verdade.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A Verdade da Igreja Mentirosa

O homem isso,

O homem aquilo;

O homem é tolo,

E desconhece a verdade;

O homem tem medo,

A humanidade teme,

Tudo o que for verdade;

Pode ser fácil falar,

Mas é muito difícil explicar.

O porque disso,

O porque daquilo;

O que o ocultista não explica,

E o mais sábio filósofo não sabe;

O que o profundista quer dizer,

Mas acha por bem calar;

O que Moisés quis esconder,

E Hatsepsut explicitar;

O que o religioso quis queimar,

E Apolônio e Simão,

Quiseram fênix tornar.

O que é Boreh?

Alguma coisa,

Mas salvador,

Na certa que não é.

E seu filho charlatário,

Falsário e mais que charlatão?

Como poderia,

Em Nazaré,

Nascer um deus,

Do últero de uma morta,

Menos que um mortal,

Submortal;

Uma virgem vadia,

Uma prostituta em primeiro dia,

Nunca antes integrante de uma orgia.

O verdadeiro sábio,

Ritualista e mago,

Adepto e fundador,

Da primeira e única,

Verdadeira Religião;

Esse sim bom,

Esse sim “do lado do bem”;

O que Boreh fez com ele?

Furou seus olhos,

Como o sol furou os de Galileu;

Cortou seus membros,

Como seus filhos cortaram os do judeu;

Acobertou e apoiou,

A perseguição a seus irmãos de raça,

Os outros da família desse judeu.

I don’t know any more,

And won’t know ever more;

But think than know,

That only knows,

Than the Roman Church,

Loser the Second World War,

The Second Worst War;

For Churchill;

But win,

Win everyone,

Win Stalin,

Win Mao,

In number of killed.

domingo, 11 de outubro de 2009

O homem e seu Mundo (Haicaneto)

I
O mundo floresce,
Ao homem algo apetece,
E a morte cresce.
II
O mundo floresce
Nasce um jardim magnífico
Amado pelo homem.
Tanto ama o homem,
Que ateia fogo em seu amado;
Amado e odiado.
Amado e muito odiado,
Dele eterno namorado.
Ele não é viado;
Não quer namorado.
III
O homem viado,
É apenas um enviadado,
Um veado tapado.
Tapada sua mente,
Sua mente homotapada,
Na verdade hétero.
Gaya teme que se crie,
Quer apenas que se procrie.
O gay não quer criar,
Gaya quer chorar.
IV
O homem tudo destrói,
Gaya reconstrói,
E o viado só enfeita.
V
O viado ajuda,
Gaya é preconceituosa,
E não quer a sua ajuda.

Despedida de um não-nascido, recém-nascido

Irei embora enfim,
Irei embora para não mais voltar,
De uma vez por todas,
Minha morte enfim vai acabar.
Mórbida e moribunda,
A baleia morde a bunda;
Mórbido e moribundo,
Esmagar-me-ei com minha obesidade,
E a tudo poluirei,
Em minha moribunda decomposição.
Não agüento mais minha morte,
E com ela acabarei;
Não para nascer,
Por que sei muito bem,
Nunca viverei,
Nunca nascerei;
Isso acontecer,
Mais difícil do que Gal enfeiecer,
Ou verdadeiros baianos padecer,
Ou mesmo esportistas e simpatizantes,
Por mais dinheiro que tenham,
Tornarem-se alguém.

Sentimento Piegas-meu

Não sei se te amo,

Nem te conheço;

Não sei se te quero,

Mas te desejo,

E sei que não te mereço.

Tudo o que sei,

Se é que algo sei,

É que por você me apaixonei,

Sem nem te conhecer,

Na primeira vez que te olhei.

Por você sou apaixonado,

Mas por você também,

Sei que nunca serei notado.

Oh,

Mas que vida mórbida;

Mórbida e moribunda,

A baleia morde a bunda;

Mórbida e moribunda,

Sua beleza esmaga qualquer uma.

Mórbido e moribundo,

Meu coração,

Obeso de tanto amor que carrega,

Tanta paixão por ti;

Esmaga a minha vida;

Vida essa que não vivo,

Vida essa que não é vida sem você;

Sei que só viverei,

Se fores rainha,

E eu rei.

Teoria da Evolução

Sou poeta,
Grande coisa;
Sou compositor,
Músico até,
Coisa maior ainda;
Agora, se sou filósofo,
Saiam todos da frente,
Abram alas para o Rei passar!
Darwin disse,
Que o homem veio do macaco,
Que o macaco evoluiu,
E continuou evoluindo,
Até chegar ao homem;
Mas teria ele então parado de evoluir?
Não de tudo,
Alguns pararam na fase quase macaca,
Mas alguns evoluíram mais,
Formando uma nova raça,
Muito mais avançada que o homem,
A raça da poesia,
Os poetas;
Poetas esses que evoluíram mais e mais,
E chegaram à evoluída e poderosa,
Raça dos músicos;
Que evoluíram mais e mais,
E enfim,
Criaram a raça máxima que há,
A raça suprema,
A raça dos filósofos.
O que é um poeta,
Se não aquele,
Que diz o que pensa,
Diz o que todos pensam,
Mas ainda não sabem;
Diz o que todos sabem,
Mas não dizem, não pensam,
Nem pensam em dizer.
Um poeta,
Antes de mais nada,
Tem de ser mais que tudo,
Mais que um homem,
Muito, muito mais;
Mais que qualquer nível da humanidade,
Transcender aos médicos e advogados,
Doutores da humanidade,
Muito menos que ele,
Um doutor da verdade,
E doutor da sentimentalidade.
Um poeta,
Carrega consigo,
Todo o sentimento,
E sofrimento,
Do mundo,
Que sofre graças ao homem,
E à humanidade,
Dupla imbatível,
Não em grandiosidade,
Mas em inferioridade,
À qualquer réles ser,
Qualquer réles ameba;
Dupla essa,
Muito, muito,
Amiga do grande Camaleão.
Um poeta consegue,
Em poucos,
Ou às vezes muitos, versos,
Dizer tudo o que o coração sente,
Tudo o que o sábio pensa,
E os lábios do tolo calam;
Criticar em seus versos,
Tudo o que os advogados divinos defendem,
E os sábios infernais criticam e acusam;
Traduzir em suas palavras,
O sentimento do mundo,
O sentimento de um mundo pobre,
Coitado e humilhado,
Maltrapilho e maltratado por suas próprias crias,
Crias essas que a ele destroem,
Para terem também as suas crias.
Se crescer,
Crescer muito,
Muito, muito e muito;
Consegue-se chegar a compositor,
Ou mesmo um músico,
Um compositor e cantor;
Que transmite em suas músicas,
Em sua voz realmente divina,
Esse mesmo sentimento,
Que o poeta apenas congela e mata,
Em sangrentas páginas de um livro.
O músico de fato,
Usa de seu faro,
Seu faro musical,
E sentimental;
Para se aprofundar nesses sentimentos,
E conseguir passá-los para o mais tolo,
O mais néscio de todos os homens,
Raça essa formada pelos mais néscios da natureza,
Mais apedeutas que qualquer ameba,
Causando assim de muito bom grado,
No grandessíssimo Camaleão.
Um grande músico,
Em seus versos e trovas,
Diz tudo aquilo,
Que o poeta iniciante sabe,
Mas não pensa,
Pensa mas não sabe;
Tudo aquilo,
Que um grande poeta,
Diz mas não pensa,
Pensa e sabe,
Mas cala definitivamente,
Palavra essa que devia ser proibida,
Passado deveria ser,
Branquinho nela,
Em todos os dicionários,
E todas a obras que a veneram,
Queimadas deveriam ser;
Porque nada,
Nada, nada mesmo,
É definitivo,
Nem mesmo a vida o é,
Ou em alguns casos, a morte;
Basta estar vivo para poder morrer,
E basta estar morto para enfim renascer;
Ao mesmo tempo em quem a pessoa mais viva,
De todo esse planeta Terra,
Pode ter seu dia de morte;
O mais morto,
O verdadeiro defunto,
O verdadeiro presunto defumado,
Pode ter seu dia de glória,
Seu dia de vida.
Esse músico,
Após grande sucessos,
Grandes obras até,
Se continuar a subir,
Crescer e subir,
Mais,
Sempre mais e mais;
Vai se tornar um filósofo.
Ao ser filósofo,
Se aprofundará muitíssimo mais nesse sentimento,
Aprofundar a ponto de ocultismo,
Ou melhor,
Profundismo;
E saberá,
Fazer aquilo que o poeta,
Ou mesmo o músico,
Não souberam,
Que é deixar esse sentimento,
Ainda mais amplo,
Ainda mais claro,
Ainda mais explícito em verdade,
Explicitar a verdade;
Despi-la de qualquer regulador,
Despi-la de qualquer tabu,
Despi-la de qualquer insana,
Roupa maléfica de fato,
Roupa realmente profana;
Seja essa roupa uma não-roupa,
Ou a mais conservadora e bela,
Roupa de grife;
Porém antiquarizadora,
Tabulizadora,
E fechalizadora.
Roupa essa,
Que torna a pessoa careta e quadrada,
Torna a pessoa careta ao quadrado;
Veste a pessoa com tabus,
Tabus contra tudo e todos,
Que a impedem de falar o que pensa,
A impedem de fazer o que pensa,
A impedem de ver e ouvir o que pensa;
E fecha a pessoa,
Em uma pequena caixa,
Caixa essa onde ela pode se afogar com as lágrimas,
Lágrimas e mágoas da humanidade,
Lágrimas e mágoas causadas pela humanidade;
Um pequeno mundo,
Um mundo alienado,
Fechado,
Retardado,
Tapado,
E completamente errado;
Roupa essa,
Vestida pela mídia,
Pela indústria cultural,
Perante uma cultura de massas,
Visando escravizar,
A todo e qualquer ser,
Insignificante,
E poderoso,
Poderoso a ponto de ser nada,
De ser ninguém;
Roupa essa,
Midializada,
E que o verdadeiro filósofo,
Consegue despir,
De si mesmo,
E daqueles que lêem suas obras,
Mas não apenas folheiam e manuseiam,
E sim lêem de fato.
Tornar-se filósofo,
É a conquista máxima,
De todo e qualquer ser vivente,
Que não seja na verdade um ser demente;
Deus criou a Terra,
E imediatamente se encantou,
Imediatamente se apaixonou,
E criou o homem,
Mesmo sabendo dos defeitos mil que tinha,
Apenas para que pudessem evoluir,
Apenas para que pudessem surgir poetas,
Depois músicos,
E por fim filósofos;
E pudessem esses filósofos,
Ensinar a esse deus,
Como filósofo também se tornar.

Anel de Apolônio de Tiana

Invado o túmulo,
Do grande Apolônio,
De Tiana o todo-poderoso;
O filósofo dos filósofos,
O mago dos magos,
Criador do Nuctemeron,
E muito, muito mais;
O messias de fato,
Messias dos não-cristãos,
Messias dos não retardados.
De sua tumba,
Tiro seu anel,
Roubo seu anel;
Arranco-lhe logo a mão,
Sua cavernosa mão,
Poderosa, imponente,
E muito, muito poderosa; mão.
Pego sua mão,
Para pegar o anel;
Arranco sua mão,
Para enfim,
Do poderoso anel,
Me apoderar.
Uso o anél,
Em minha mão direita,
Para assim, acabar
Com minha dor;
E ameaçar,
Meu sofrer,
E todo o meu amor.
Não acabou o meu sofrer,
Mas suavizou muito,
Tanto quanto poderia suavizar,
E mais do que seria sensato suavizar;
Por que agora estou feliz,
E uma vez feliz,
Estou fraco e vulnerável.
O grilo feliz,
Quebrou o nariz;
E o homem feliz,
Quebrou a cara.
Penso, penso e penso;
Uso de meu raciocínio ilógico,
E de meu coração racional;
E penso, por bem,
Sacrificar meu ser feliz,
E todo esse meu bem estar,
Para ultra-realista,
Ao invés de fraco e tolo hedonista;
Me tornar.
Paço o anél parà mão esquerda,
E pesso ao menos uma pessa de não despoder;
E uma grande engrenagem de despudor.
Torno-me fraco,
Meu cérebro não bate;
E meu coração,
De tão fraco,
Não só não respira,
Como nem levantar da cama consegue.
Deita eternamente,
Eternamente fraco,
Perpetuado em um colchão,
Colchão esse,
Que nada mais é do que o chão.
Ainda se fosse um chão belo,
Requintado com pedras,
Um chão de mármore;
Mas não,
Não passa de um chão de areia,
Areia mais árida e mais morta,
Que o vasto coração,
Desse meu coração.

Mumificando o Futuro onde Nasci 3 - Revendo o Futuro

Ah, como será bom,
O passado que viveremos,
Nos anos 40,
Com o jazz,
O samba,
Pelo telefone.
No Brasil começará,
Você sobe o morro,
E encontra samba em pessoas.
No mundo afora,
Bastará cruzar a rua e entrar num bar,
Para os grandes músicos de jazz,
Tocando e cantando, encontrar.
Na certa,
Devido às crises financeiras,
Devido às crises sociais,
Haverá uma guerra,
Que tomará todo o mundo.
Depois da Guerra,
O mundo se dividirá,
Em bem e mal,
Em capital e social.
A arte começará,
Uma fase de ouro,
Um período sagrado da arte,
Marcado por imensos artistas,
Escritores, poetas,
Diretores, pintores,
Atores, cantores e compositores.
Depois, nos anos 50,
Virá o rock,
O rhythm & blues;
Será um tempo de mudanças,
Um tempo de misturas, fusões.
Na terra brasilis,
A música entrará numa fossa,
Não uma ruim, mas uma ótima,
Uma fossa de grandeza, grandeza artística,
Com grandes nomes, como compositores e cantores.
No mundo à fora, as misturas correrão soltas
Pra lá e pra cá, sempre, sem pestanejar;
Surgirão novos ritmos,
Sem pudor, sem cobertor,
Para crítica suprema do conservador.
Anos 60,
Virão revoltas contra as revoltas,
O mundo viverá de paz e amor.
A fossa brasileira se amenizará,
A bossa aqui se instaurará,
E tudo revolucionará;
Lado a lado com novos prédios,
Prédios poéticos, feitos com muito concreto;
Concreto poético da melhor qualidade.
O mundo inteiro,
Total paz e amor viverá;
Guerras na certa que haverá,
Mas o povo se amenizará,
E, completamente, se acalmará.
Aos anos 70,
A dança vencerá ao canto,
Não importará tanto o quanto se canta,
Quanto o quanto se dança,
E se faz dançar.
No Brasil,
Grande país tropical,
Surgiram novas revoluções,
Revoluções tropicais,
Com grandes mestres,
Três reis magos e o rei dos reis.
No mundo,
A dança contagiará,
E ao ritmo de grandes discos,
O globo girará,
O globo dançará.
Dado o gongo dos anos 80,
Virão novos cantores para velhas canções,
E velhos cantores trarão novas canções;
Mas não haverá nada de muito novo,
Chegará ao fim a fase dourada.
No Brasil,
Voltarão velhos com coisas novas,
Chegarão novos aprimorando coisas velhas,
E cantarão muitas vozes,
Principalmente de mulheres.
E no mundo,
Haverá comoções públicas,
Organizações artísticas para bem geral,
Bem dos desvalidos,
Para assim não terminarem falecidos.
Já aos anos 90,
Como tudo que há no mundo,
A boa fase de ouro da arte,
Também acabará.